Transição de governo, estreia da seleção brasileira na Copa do Mundo, juros altos e demissões. Seja quais foram os motivos, a verdade é que o resultado da Black Friday deste ano foi nada animador para o comércio eletrônico.

Mas foi ruim para todos? Nem tanto. Os ecommerces que saíram na frente, antecipando promoção ou até aqueles que estenderam a oferta até o final do mês de novembro obtiveram boas vendas.

Segundo dados da Neotrust o faturamento durante o período foi de R$ 3,9 bilhões, uma queda de 25% em relação a 2021, quando atingiram R$ 5,2 bilhões.

As formas de pagamento mais usadas pelos consumidores na Black Friday foram cartão de crédito (54,2%), PIX (15,7%) e boleto bancário (13,8%).

A pesquisa indicou também que as categorias de produtos com maior faturamento foram eletrodomésticos, eletrônicos, telefonia, informática, e ar condicionado e ventiladores.

Diferentemente daqui, nos Estados Unidos, onde a data surgiu, as vendas pela web subiram 5,8%, de acordo com a Adobe Analytics. Comparar a lucratividade dessa data entre os dois países não é tão simples de explicar, mas dá para perceber que ambos estão em momentos contextos político-econômicos bem distintos.

O Brasil vive uma transição de governo e muitas incertezas sobre o futuro econômico. Esse cenário afeta em cheio os varejistas que dependem de fornecedores para abastecer suas prateleiras. Pelo lado do cliente, a recente onda de demissões, insegurança com a inflação, além dos juros altos, tem um efeito de travar o consumo.

Vamos ver como será o ânimo do mercado para o Natal. Enquanto isso vamos torcendo pelo Brasil na Copa e na economia…

Eduardo Muniz é Sócio-Diretor da SIMPLIE – empresa de inteligência com uma solução full-service para o e-commerce – e Professor do MBA de Marketing Digital na ESPM e FGV.