Não há como frear o avanço tecnológico, isso é fato, mas como a gente deve se comportar e se adaptar à nova realidade, são desafios constantes.

As redes sociais impactam as vidas das pessoas, não restam dúvidas. Como interagirmos com conteúdo que a IA (inteligência artificial) seleciona e nos apresenta no smartphone, o que compramos online até qual imagem a gente transmite para o mundo virtual.

Minha análise é de um adulto, pai de um filho jovem e uma pré-adolescente. Cada vez mais vejo as redes sociais mudando sua postura, como se no início fosse mais liberal e agora está mais “conservadora” ou “preocupada” com o que é divulgado. Será?

No Senado dos Estados Unidos, foi apresentado um projeto de lei que visa reduzir “o dano da amplificação algorítmica e do vídeo em mídia social em plataformas cobertas”. Até que ponto isso pode ser interpretado como censura? Como avaliar que tal conteúdo é impróprio para menores de idade?

Outra preocupação, além do conteúdo das redes sociais, é o tempo de uso do smartphone e tablets. Psiquiatras explicam que as telas são fonte inesgotável de estímulos rápidos. Comentários, curtidas e vídeos provocam a liberação de dopamina no cérebro, neurotransmissor que gera sensação de prazer.

A descarga constante de dopamina produz um looping perigoso para a saúde mental, prejudicando a concentração e afetando o desenvolvimento do cérebro das crianças.

Desde o ano passado, o TikTok implantou vídeos cômicos para lembrar seus usuários infantis e adolescentes a fazerem pausas quando estiverem usando o sistema por um longo período. São vídeos de um casal aconselhando a beber água, ler um livro, a deixar o celular de lado.

Não deveria ser isso a função dos pais? Me questiono se esses alertas dão resultado positivo ou são apenas mais um mero vídeo a ser rolado pra cima pelos dedos dos adolescentes?

Eduardo Muniz é Sócio-Diretor da SIMPLIE – empresa de inteligência com uma solução full-service para o e-commerce – e Professor do MBA de Marketing Digital na ESPM e FGV.