Se você é como eu era, descrente e uma pessoa ressabiada com este negócio de NFT e o tal Metaverso deixa eu te contar um segredo: isso não é uma ilusão futurista, mas uma realidade mesmo.

Há inúmeros indícios de que esta tendência se realizará rapidamente em um contexto muito mais sólido do que os tempos de Second Life.

O “metaverso” será a nova internet. Metaverso é um ecossistema com infraestrutura e aplicações próprias que envolvem moedas digitais (criptomoedas na veia), marketplaces (de produtos virtuais e físicos), NFTs (a grande revolução), games, social media, avatars e muito entretenimento (shows, palestras, aulas).

Nada disso é novidade porque isso tudo já acontece há algum tempo no mundo dos games. Jogadores conectados com amigos e amigas no mundo inteiro jogando e compartilhando servidores e interagindo num mundo impensável para nossos avós e pais.

A ficha começou a cair quando ouvi minha filha de 11 anos dizer para a amiga entrar no servidor dela para jogar junto para ajudá-la a ganhar dinheiro. Dentro do mundo dela, ela tem um restaurante e hotel e joga e interage com crianças do mundo inteiro – outro dia me perguntou como falava “o que você quer?” em espanhol.

Para nós que vivemos a internet bidimensional, que digitamos “www alguma coisa” e entramos num site com texto, imagens e às vezes videos, navegar voando por uma terra maluca com avatares de todos os tipos pode parecer estranho. Para a nova geração isso é e será o novo normal.

Eu tive um belo aprendizado e um insight quando um dia meu filho quis comprar flores no dia dos namorados. Como precisava do cartão de crédito, eu falei para ele escolher o que queria e me chamar quando tivesse com o produto selecionado no carrinho de compras. Ele me chamou. Mas não foi para pagar. Ele ainda estava na homepage de um dos sites mais bem sucedidos de flores porque ele não sabia nem por onde começar “Isso aqui é muito confuso. Não dá para entender nada. O que é que tem que fazer aqui?”

Pois é, o que é óbvio para a geração bidimensional não é para a geração da web 3.0. O ambiente em que ele passa mais tempo conectado é o de game, com os amigos, nada mais natural que esta passe a ser sua referência de aprendizado de interação no mundo digital.

O que acontecerá é que entraremos neste mundo com “sites” que não serão “sites” mas sim espaços dentro dos diferentes universos que estão surgindo. Diferente da internet que podemos navegar de um site para o outro com um click, no Metaverso a lógica é um pouco diferente. Teremos que entrar em ambientes diferentes. Este é um dos poucos pontos que ainda está incerto, mas é natural que o crescimento traga novas formas de interagir e participar.

É um ambiente que requer uma grande capacidade de processamento, afinal de contas estamos falando de 3D. Mas atenção que não quer dizer que estaremos todos com os óculos Rayban do Zuckerberg ou com outros tipos de devices (capacetes ou óculos) para entrar neste universo. A primeira etapa será mais simples e não requer equipamentos especiais.

Já ouviu falar no Decentraland? Pois é um grande ambiente virtual, como se fosse um jogo online onde você pode criar seu avatar para poder interagir com os outros players. Aliás, pode ser por chat ou áudio. Mas será em breve um grande ambiente de negócios.

Mas por que eu acredito que isso é para valer? Vamos aos fatos como por exemplo bancos centrais regulando criptomoedas, penetração de internet alta, a tecnologia 5G se propagando, grandes corporações investindo pesado em pesquisas e já até projetos concretos neste universo.

Projeções indicam que o Metaverso será um negócio de US$760 bilhões até 2026 em todo o mundo. Além da movimentação natural das grandes empresas de tecnologia – Facebook (agora Meta), Google, Microsoft, investidores institucionais e marcas globais como Nike, Adidas, Budweiser, Disney, Paypal, VISA e outras já estão investindo milhões de dólares no setor.

Quando os grandões querem, as coisas acontecem. Até porque a próxima geração de tomadores de decisões já está preparada para isso. Assim como na internet dos anos 2000 haviam aventureiros, tivemos projeções furadas, mas a internet cresceu, o ecommerce cresceu, o mobile cresceu. Quer dizer, não só cresceu como está completamente massificado, do jovem ao experiente, do humilde ao ricaço.

Se você ainda não se convenceu de que as coisas vão evoluir para esse tal Metaverso, os principais eventos do mundo mobile e de inovação, o Mobile World Congress, em Barcelona e o SXSW, em Austin, Texas tiveram o tema “Metaverso” dominando as conversas.

Uma nova forma de conexão digital está surgindo bem diante de nossos olhos. É só ficar com eles bem abertos para acompanhar todas as novidades ou tomar cuidado para não piscar e perder o bonde.

Eduardo Muniz é CEO da agência digital de performance Simplie e Professor de pós-graduação de Comportamento do Consumidor Digital, E-commerce e Marketing Digital na ESPM, FGV e FIA.