Quem imaginaria que aquele desejo de infância de ter a lição escolar pronta num passe de mágica se tornaria realidade?
Estou falando do ChatGPT, serviço criado pela OpenAI, que utiliza IA (Inteligência Artificial) para elaborar textos e responder suas dúvidas de forma rápida e coerente. Ele é tão esperto que é capaz de entender a demanda do usuário, agrupar informações e reescrevê-las. Ou seja, tem habilidade para criar histórias, roteiros, redação, tese de mestrado, entre outras coisas.

Será que estamos mentalmente prontos para isso? A minha geração, aquela que pesquisava em livros na biblioteca, reescrevia e elaborava textos, acredito que sim. É possível prever se essa tecnologia pode impactar negativamente no desenvolvimento intelectual das crianças que estão na fase inicial da alfabetização? Minha suspeita como professor e pai é de que infelizmente, sim.

Não há como ignorar e frear a tecnologia, mas será que o ChatGPT vai nos deixar preguiçosos para refletir informações, raciocinar e concatenar as ideias? Essa preocupação dos pais e educadores foi um cutucão na criadora do chatbot, que se posicionou recentemente: “Reconhecemos que a identificação de texto escrito por inteligência artificial tem sido um ponto importante de discussão entre os educadores, e igualmente importante é reconhecer os limites e impactos dos classificadores de texto gerados por programas na sala de aula.”
Nos Estados Unidos o ChatGPT se tornou popular entre os estudantes. Em Nova Iorque, um dos maiores distritos escolares, os professores proibiram seu uso para evitar plágio de trabalhos.
Esse temor já ultrapassa os muros da escola. Pode ser ameaçador para os negócios lucrativos do Google e seus concorrentes. Imagine se os usuários deixarem de pesquisar na maior plataforma de busca do mundo? Não é errado pensar que as empresas eventualmente vão diminuir os investimentos em anúncios no Google Ads, que vai afetar a receita da empresa – menos renda, mais demissões, como aconteceu recentemente.
Prevendo essa ameaça nos seus negócios, a Google vai lançar a partir de março até 20 produtos para concorrer com o ChatGPT.
Alguém arrisca um palpite de como será o contra-ataque das Big Techs?

Eduardo Muniz é Sócio-Diretor da SIMPLIE – empresa de inteligência com uma solução full-service para o e-commerce – e Professor do MBA de Marketing Digital na ESPM e FGV.