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A taxa de mortalidade de ecommerces: uma luz sobre a questão

Li recentemente um artigo sobre a taxa de mortalidade de um ecommerce no Brasil que me chamou a atenção. Apenas 30% dos ecommerce sobrevivem ao segundo ano de vida.

Esso significa que 70% dos sites de vendas online lançados em 2014 não estarão por aqui no ano que vem. É um número assustador especialmente para quem trabalha neste meio.

Alguns podem ver isso como uma oportunidade: “revender” um serviço para alguém que fechou ou quebrou. Outros podem ver esta realidade como tenebrosa e um mercado arriscado ou um canal de vendas que não funciona.

Olhei alguns dos fatos e números e quero trazer aqui um esclarecimento para que os efeitos não sejam confundidos com as causas nesta questão e começarem a dizer que ecommerce não funciona. Funciona sim, e muito bem, quando bem planejado e executado.

  1. Índice de mortalidade de start-up no Brasil é de 90%.

A cada 10 empresas abertas no Brasil de qualquer setor, apenas 1 sobrevive ao 2º ano de operação. Este número traz alguns fatores imbutidos neles que exploro mais abaixo.

  1. Índice de mortalidade de ecommerce no Brasil é de 70%.

A cada 10 ecommerce abertos no Brasil 3 continuam operando no 2º ano. Comparado a média de empresas abertas, este índica é 3x maior. O que significa que uma start-up de ecommerce tem 3x mais chance de sobreviver que qualquer outra nova empresa.

  1. Perfil do empreendedor digital.

O Brasil tem uma cultura empreendedora. No entanto quando olhamos para o perfil dos empreendedores vemos que muitos não estão bem preparados para assumir esta responsabilidade. Má formação, falta de informação, ausência de um modelo de negócios e às vezes até falta do estudo de viabilidade do negócio são características constantes.

  1. Incentivos para a criação e desenvolvimento de start-ups.

No Brasil há algumas iniciativas, como o Simples, para estimular novas empresas, mas nada comparado ao que acontece na Colômbia por exemplo, onde além de abrir sua empresa em 48 horas o governo te dá 1 ano de isenção de taxas e impostos por entender que no 1º ano de operação o fluxo de caixa é crítico.

Num artigo que escrevi recentemente destaquei que “mais difícil do que abrir um ecommerce é manter um ecommerce” justamente porque há incentivos para abertura de ecommerces por parte de instituições públicas e privadas mas que a continuidade da empresa dependia exclusivamente do empreendedor e das empresas parceiras que tenham escolhido – com objetivos diferentes dificilmente há uma relação saudável a longo prazo.

  1. Expectativas de ganhos no ecommerce.

Muitos casos de sucesso no ecommerce surgiram nos últimos anos estimulando mais pessoas a entrarem neste ramo. No entanto como em qualquer setor, os primeiros entrantes normalmente conseguem taxas de retorno maiores que os que vêm a seguir.

Iludidos por estes ganhos “fáceis” na Internet muitos empreendedores elevam suas expectativas a níveis irreais, se frustram e acabam fechando suas operações antes do prazo de maturação do negócio.

Eduardo Muniz é Sócio-Diretor da SIMPLIE – empresa de inteligência com uma solução full-service para o e-commerce – e Professor do MBA de Marketing Digital na ESPM e FGV.

2020-02-28T19:44:47-03:00