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A hora de conquistar os conquistadores: um relato sobre o eshow madri 2014

O que um evento de ecommerce e marketing digital na Espanha tem a ver com o Brasil? Que interesse teriam no Brasil e que oportunidades haveria para brasileiros no mercado espanhol? A princípio, muitas.

A edição do eShow deste ano aconteceu semana passada nos dias 8 e 9 de Outubro em Madri, no principal local de eventos da cidade, o IFEMA (uma especial de Riocentro ou Anhembi com uma infrastrutura 10x maior e melhor).

Entre os vários palestrantes do calibre do Steve Wozniak, fundador da Apple, estavam 2 brasileiros que cruzaram o Atlântico em busca de oportunidades de negócios.

O fato do evento ter aberto espaço para palestrantes da América do Sul demonstra o interesse de empresas européias em atuar e investir nos mercados emergentes do continente Americano.

No primeiro dia, Eduardo Muniz, Sócio da Vitrio, uma empresa de inteligência com soluções para o marketing digital de resultados, apresentou o cenário digital da América Latina. Os altos indices de crescimento do ecommerce e marketing digital chamaram a atenção dos presentes abrindo espaço para perguntas e debates.

Ao mesmo tempo que o mercado latinoamericano demonstra forte e consistente crescimento ainda existe espaço para grandes investimentos no setor. Com a economia europeia e principalmente espanhola ainda não dando sinais de recuperação a possibilidade de entrar num mercado 5x maior que o espanhol animou aos empresários e profissionais presentes.

Além dos motivos financeiros, outro ponto destacado por Muniz foi o cultural. A Espanha é afinal de contas “pai” de todos os países sulamericanos – com a exceção do Brasil e mesmo assim o Tratado de Tordesilhas permitiu que os espanhois tivessem sua parte do país durante um momento na Historia.

Os valores morais, familiares e comportamentais são muito similares entre os difentes países da América do Sul e a Espanha, o que faria com que a abordagem de marketing, comunicação e especificação de produtos fossem mais fáceis de interpretar.

“Obviamente o idioma parece igual, no entanto, há algumas diferenças significativas para levar em consideração” destaca Muniz, um brasileiro que morou durante anos na Argentina de onde liderava a operação digital latinoamericana da DIRECTV e conhece bem as nuances marketeiras de cada país. Empresas que entenderem este cenário poderão conquistar espaço no mercado ibero-americano.

No entanto o que mais chamou a atenção na opinião do empresário brasileiro foi o de que o mercado digital e de ecommerce brasileiros não devem nada para o espanhol. “Muito pelo contrário” conta Muniz, “Talvez pela crise, este mercado ficou estagnado então as empresas aqui estão discutindo coisas que já discutimos há 2 anos no Brasil.”

Ou seja, há uma oportunidade interessante no horizonte. Com preços competitivos, conhecimento mais avançado e sofisticado que os colegas espanhóis as empresas brasileiras têm uma boa janela de oportunidade nas mãos. Têm plenas condições de competir de igual para igual e em muitos casos até se destacarem mais no mercado do que a média das empresas locais.

No Segundo e último dia, Mauricio Salvador, presidente da ABCOMM, Associação Brasileira de Comércio Eletrônico apresentou dados e estatísticas do mercado brasileiro. O interesse por investir no Brasil continuou com algumas perguntas sobre a carga tributária e barreiras de entrada.

A conclusão do evento de Madri é a de que há espaço para empresas brasileiras e latinoamericanas competentes entrarem no mercado de ecommerce espanhol pois seu estado é bastante básico.

Depois de termos sido conquistados temos uma oportunidade para sermos os conquistadores no ambiente digital.

 

Eduardo Muniz é Sócio-Diretor da SIMPLIE – empresa de inteligência com uma solução full-service para o e-commerce – e Professor do MBA de Marketing Digital na ESPM e FGV.

2020-02-28T19:43:39-03:00